Artigos / Dirceu Cardoso Gonçalves

20/04/2017 - 07:36

O Brasil, os políticos e a corrupção

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          A corrupção sempre existiu. Isso todos os brasileiros ouviram dizer desde os tempos de criança, principalmente na pregação dos políticos que, em campanha, buscavam o voto com a promessa de lutar por uma sociedade melhor e para... acabar com a corrupção. O tema foi base de todos os postulantes de votos, pelo menos em parte de sua carreira. Houve, inclusive, os que dele fizeram sua bandeira, se apresentaram como verdadeiros paladinos anticorrupção e, com isso, chegaram ao poder, onde permaneceram à custa de mistificações e bravatas que, durante muito tempo, esconderam suas verdadeiras faces. Chegaram a se transformar em líderes quase messiânicos, seguidos pela multidão de enganados.

            Na virada dos anos 70 para os 80, os exilados e banidos do regime de 64 voltaram ao país e restabeleceu-se a democracia. Demonizou-se os militares e vendeu-se à população a idéia do paraíso. Havia solução para tudo, e o povo acreditou. Hoje verifica-se, através das delações de empreiteiros propineiros que já naquela época se roubava os cofres públicos e distribuía o dinheiro aos políticos, todos acomodados no sistema de coalizão. O governo já comprava os votos dos parlamentares e fazia vistas grossas às campanhas eleitorais feitas com dinheiro sujo. Esse é o pessoal que nos prometeu o fim da corrupção e o país próspero e, apesar de todas as riquezas e possibilidades nacionais, nos trouxe à espantosa crise que hoje vivemos.

            No mais reles procedimento de quadrilheiros, o mensalão – primeiro grande escândalo político-financeiro desse tempo – eclodiu por divergências na divisão do dinheiro roubado do erário. Um dos partidos sentiu-se preterido, denunciou o esquema e, apesar da morosidade da Justiça, os operadores restaram condenados e outros tiveram a reputação manchada. O episódio, no entanto, não serviu de lição, e a corrupção continuou e foi descoberta através da Operação Lava Jato, da Justiça, Ministério Público e Polícia Federal. Hoje temos quase 500 políticos formalmente envolvidos, entre eles ex-presidente da República, congressistas, governadores e executivos, alguns deles presos e outros aguardando o desenrolar dos processos. Outras delações ainda estão por vir e muitos outros errantes deverão ser identificados até na escala municipal.

            Só nos últimos tempos é que o brasileiro ficou sabendo, em detalhes, a magnitude dos roubos que se praticou nesse país. A divulgação das delações da Odebrecht é um libelo à atual classe política que, por vontade própria ou imposição do meio, chafurdou na corrupção. É preciso buscar urgentemente uma saída. Sem o respeito do povo, o governo e as instituições não conseguirão manter a paz e a ordem, e a sociedade caminhará para a barbárie. Evitar o pior é dever de todos...
Dirceu Cardoso Gonçalves

por Dirceu Cardoso Gonçalves

Tenente – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
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