Artigos / Beatriz Garcia Marques

11/04/2017 - 13:17

​Nova (Des)ordem mundial

Em plena ascensão da era Trump testemunha-se uma nova ordem mundial em que os EUA buscam a retomada do controle das nações, atropelando regras da ONU e valores dos países envolvidos.

O evento que mais repercutiu nas redes na última semana foi fruto de uma mazela do presidente americano que enviou 59 mísseis à uma base militar na Síria matando alguns civis e militares. Eis que o supremo governante lançou um discurso antagônico e hipócrita ao mundo. Segundo ele, a ordem seria em resposta ao ataque químico ocorrido na mesma semana que matou cerca de 80 pessoas, entre elas “pobres crianças inocentes”, como dito por ele.

Um discurso embasado em “combater guerra com guerra” não surpreende ao vir da boca do republicano que orgulha-se da decisão como se não houvessem inocentes na base militar atacada por ele.

O outro lado

O governo de Bashar Al-Assad é conhecido por sua intensa repressão contra a população Síria. Tudo começou com os rebeldes que aproveitaram a onda revolucionária da Primavera Árabe e se revoltaram contra o governo. O fato é que Assad permaneceu e aliou-se a países poderosos.

Falando em aliança, a Síria mantém sua ligação com o Irã, de atuantes xiitas (radicais) com alto poderio bélico e membros do Estado Islâmico. Além disso, a Rússia de Putin também declarou apoio à Al-Assad e, nesse meio tempo, colaborou para a retomada de Aleppo.

Já quase podemos nos indagar “quem é os EUA na fila da guerra?”.
 
O conflito que ninguém vê

Até pouco tempo atrás o presidente Trump declarava sua aversão à imigrantes e ao abrigo de refugiados e, por um instante, parece que todos esqueceram-se disso e de seu famigerado muro. Parece-me que o jogo de cintura de tentar bancar uma de herói e defensor dos indefesos convenceu à muitos.

O grande porquê que poucos analisam é a situação geral. Com o suposto ataque químico na Síria, que alguns analistas afirmam ter sido acidental, a população vê-se disposta a migrar e convenhamos que essa não é a palavra preferida do nosso estimado republicano. Então por que não bancar uma de herói à distância? Estilo “eles lá e eu cá”, não sendo necessário abrigar ninguém no abençoado solo americano.

Como se não bastasse, o presidente, ao invés de pacificar a situação como fazia o ex-presidente Obama, usou o twitter para botar lenha na fogueira e provocar polêmica sobre outra situação envolvendo a China e a Coreia do Norte. Enquanto faz seu show ao público, os navios americanos se deslocam à surdina prontos para uma nova guerra.
Beatriz Garcia Marques

por Beatriz Garcia Marques

É acadêmica de Comunicação Social - UFMT
 
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