Artigos / Wilson Fuá

24/10/2014 - 10:16

Eleições internas

Muitas vezes nomeamos alguém como nosso inimigo, porque é mais fácil e mais barato perdoar apenas um.

Talvez porque na complexa idiotice, perde-se muito tempo buscando inimigos, e mesmo quando não os encontram, concebemos a necessidade de ter pelo menos “unzinho”, e essa necessidade faz com que indiquemos a pessoa mais próxima, e passamos a dizer que o inimigo dorme ao nosso lado, e que além de perturbar o nosso sono, será um estorvo pela vida toda, mas ao contrário, devemos entender que ninguém será feliz sozinho.
 
Ao sentir a ausência dos sentimentos considerados inferiores, as pessoas passam a ter a transparência no entendimento da vida e deixamos de desviar o olhar para não encarar alguém que tenta aproximar-se; isso acontece só quando não há mais necessidade de virar o rosto ou mudar de calçada por nomear alguém como indesejável, e quando ainda por necessidade pessoal age assim, é porque aquela raiva de um inimigo ainda está instalada no seu coração.

O importante é saber que aquela pedra que você usava para jogar nas pessoas ficou obsoleta em suas mãos, porque não será mais arremessada, porque na sua vida, os atos foram trocados, substituindo o ato de armar, pela atitude de estar disponível para amar.


Enquanto não rompermos os modelos e os moldes pré-estabelecidos pelas influências sociais, não seremos receptivos ao inédito, pois só a partir daí, passamos a adotar o poder de renunciar e a manifestarmos de forma decisiva para sairmos da estreita fronteira onde somos aprisionados, desnudado, descalços e sem marcas.

A grande sacada da vida é descobrir que existem muitos caminhos além das aparências visíveis, e aprender a viver verdadeiramente na humildade e entendendo que as pessoas representam o que elas são, se você não aceita o defeito dos outros, naturalmente as outras pessoas não são obrigadas a aceitar os seus, para não participar de uma guerra, é necessário ficar longe dela.

Por outro lado, muitas pessoas entendem a vida como um embate, e ficam a preparando para vencer sempre, até entender que vencer é uma exceção, ficam a viver em busca de aplausos e mentalmente se vêem coroadas publicamente de louros, mas não estão preparadas para o outro lado da vida, pois nem sempre vencemos. 

Por isso, que na raridade das vitórias, ao atingirmos os nossos objetivos, devemos expor a força de esperança e que o nosso exemplo de superação se transforme em estímulo para novas tentativas para engrandecer a nossa natureza e entendermos que somos eternos aprendizes na escola da vida, pois a vitória vai além da superação de um objetivo e muito além do próprio vencedor.

As pessoas querem o oásis sem atravessar o deserto, e muitas vezes passamos por ele e não vemos, porque não há tempo para comemorar vitórias momentâneas, porque não temos a devida tolerância conosco mesmo, porque é muito simples e muito cansativo o reconhecimento do simples.

Não estamos preparados para entender que o mal que  vemos nos outros, muitas vezes estão em nós mesmo. Até entender que os combates da vida são internos, o importante é adotar uma vida composta com atos de humildade e saber desfrutar as bênçãos que recebemos por estar vivos e ao chegar ao fim do dia, poder estar com o coração aberto para sentir a alegria das boas ações.

Há momentos na vida em que reconhecemos cada significado do nosso existir, se isso acontece de modo preparado é porque você já elevou a sua alma.
Wilson Fuá

por Wilson Fuá

É Especialista em Recursos Humanos e Relações Políticas e Sociais
wilsonfua@gmail.com
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