Artigos / João Arruda

15/06/2019 - 08:49

Passarinho

Quando nos chamados anos 60 o casal José Olegário e Vicência de Arruda optaram por mudar das furnas das Serra das Araras, região da Salobra Grande, para a área urbana de Cáceres a meta deles era ofertar estudos aos sete filhos Wilson; Luiz Mário; Carlos; Benedito; Pedro; Francisco e João Mário. 

Então se instalaram numa casinha de madeira com quintal grande, situada na Rua São João na Cavalhada , a leva foi logo enturmando com seus vizinhos e cada um deles estudando e trabalhando conforme a inclinação.

João Mário desde cedo como estudante da Escola Rodrigues Fontes despontou como um craque no futebol e chegou ao profissional atuando por várias equipes de Cáceres, dessa carreira fez um gol antológico até hoje jamais igualado no Geraldão. 

Os demais abdicaram dos estudos para dar uma " demão " aos pais na lida diária pelo pão de cada dia.
Enquanto que Luiz Mário, com poesias, ganhava seu espaço nas redações dos periódicos de Cáceres, enaltecendo as colunas sociais da extinta Folha do Povo e posteriormente por um longo período atuou no "Correio Cacerense".

Da sua genialidade ímpar, expressava as mais belas lavras para os colunáveis da Princesinha do Paraguai, as personalidades ali retratadas aguardavam com sequiosas expectativas os elogios decorrentes desse poeta, tão puro, tão autêntico que ao mesmo tempo talentoso era enquanto em vida a essência da humidade encarnada.

Assim, nessa simplicidade admirável, passou por mais de 22 anos atuando como servidor público municipal, emprestando seus conhecimentos a sua gente ao seu povo cacerense.

Por fim, acometido por enfermidades, nunca se queixou, nunca fez qualquer lamúria a quem lhe desse uns minutos a escutá-lo.

Muito querido por algumas famílias como os Scaff, a comadre dele Luiza Zattar e as amigas Evanil  Pinheiro,  Cassia Furtado, Maria do Rosário Carneiro Geraldes Lolita, Marluce Pinheiro Lima mapili, Rosane Michels e principalmente as irmãs Navarro. Amigo de primeira hora do padre Dyco Vanini, Lú era católico daqueles raríssimos nos dias atuais. Lú Arruda, como era tratado carinhosamente, em 11 de junho último, desencarnou, sem dar trabalho a ninguém. Levitou aos céus em seu aposento e em cuja moradia a mais pura expressão da simplicidade. 

Partiu rumo ao firmamento junto à morada celestial eterna, quiçá junto ao seus genitores Olegário, Vicência e ao seu irmão Carlos, que foi colhido precocemente. 

Lú na sua despedida não teve honras e nem pompas do velório ao cortejo, tudo simples tudo singelo como sempre fostes seu viver.

Os seus leais amigos ali estavam para reconhecer seus feitos.

Sim, Lú Arruda partiu se assemelhando aos pássaros descrito por Jesus num trecho do Novo Testamento. Eles não plantam, não tecem, mas Deus lhes provém de tudo.

Lú Arruda tenhas a certeza, Deus já proveu sua moradia para toda a eternidade.
João Arruda

por João Arruda

é jornalista em Mato Grosso.
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2 comentários

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  • por Anair Cunha, em 10.08.2019 às 06:36

    Belas palavras...amo história!

  • por Clarice Helena Navarro, em 16.06.2019 às 11:36

    Lindo texto, João. Descreve muito bem e fielmente o querido Lú Arruda.

 
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