Artigos / Julia Belle Lampert

11/02/2019 - 10:04

Venezuela nas vendas do medo

Jesus disse: pescarão gente. Mas a mente, Mente.

Imagina o medo de não se ver? Não enxergar? Não entender? Não lutar? Não ser? As pessoas da Venezuela, vendados os punhos, vendadas para a guerra, vendas nelas. No cárcere, vendadas as janelas pois o sol não pode conhecer a verdade escondendo a humanidade que não o enxerga, protesta!

Esse medo, escravo primeiro de si mesmo e detento de tantos prisioneiros, é o dom de não ter dom para amar, na lealdade silenciosa do espelho, na água refletindo narciso, berra a sua boca! Desesperada para não ser descoberta! Vista! Desvendada a sua máscara maquinaria, expressa rugas do sentimento em aprisionamento do mórbido momento.

A obra de dentro da caixa imaginária insana, se encaixa para fora e enquadra alas de aquário de ferro, perfura os peixes da realidade onde querem livres seguir sua marcha desenquadrada, como água hidratando a caminhada, mas pela Danificadora Infraestrutura Sombria de Impertinência Pública (DISIP), mas pelo Sensacional Encurralamento Bélico no Irascível Monumento (SEBIM), são reprimidos, comprimidos, como fármacos –não literais- enfiados goela a baixo, como mandatos sem carimbo, carimbados na pele pelo terrível autoritário fruto, Maduro demais.

Esses remediados, enfim deliberando os efeitos colaterais primários da violação humana, em prol da prova pela pergunta –não literal- que não se declama verdadeira, mas mentirosa dos que ouvem. E haverá um dia de amar? Se já não amam as versões humildes, simbólicas, caóticas, borbulhantes dos peixes.

Essas afrontas, um eco verbal, viral do mal, ditando um cabedal sem juízo. Esse experimento rico artefato, sem de fato provado ser, mas de ódio cumprindo a artimanha dos maus tratos, ocupa imoralmente o espaço –primeiramente cultural delineado- obrigando o inocente humano a anular a própria presença do seu suado lar, da calorosa família lutadora com punhos e pés de direitos, por mais, por menos, um bom governo, a verdade no leito literal da palavra democracia, um rico riso de acesso à natureza, expressada em beleza, que deu em nada!
Por tudo limitada e tomada por quem a despreza e vende em oferta aos armados de outros estados, espelhados, engravatados, remunerados, rancorosos, despolitizados, falsos poderes tributários, pobres vigários: pois a fome da ignorância corruptiva, é menor do que a fome estomacal do animal moral que se movimenta para plantar e trabalha para colher, depois da paralização do ouro preto, da pequena quantia de valor a quem se devia o labor promissor.

Para entender, era preciso crescer porque foi fácil esquecer esse dever. Motivo. As "Chávez" mortas enferrujadas, usadas do avesso, com o legado desvalorizado, abre uma rachadura manchando a área verde Bolivariana, pela Madura imaginária mente nazista de acreditar na porta quadrada sem ferros, sem água, que o Maduro homem tem ânsia de inaugurar vermelha.

Na Venezuela do acre, o seio da mãe acolhe seus filhos e as sobras de mais um golpe.
Julia Belle Lampert

por Julia Belle Lampert

Mora em Cáceres e é estudante e poeta.
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5 comentários

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  • por Mimi, em 12.02.2019 às 12:16

    Derramamento de sensações. Lindo, trágico, com pinceladas de surrealismo. Pena que é o retrato da Cegueira Moral que acomete a sociedade.

  • por Lauci Belle, em 11.02.2019 às 13:41

    Parabéns, Júlia, texto repleto de empatia e sensibilidade pela dor que vivenciamos. Teu texto é profundo, metafórico, denso.

  • por MARIA FATIMA DE PAULA SILVA, em 11.02.2019 às 13:31

    Parabéns Minha linda poetisa,Amei suas palavras são bem colocadas.????????????????

  • por Helizangela, em 11.02.2019 às 12:12

    Parabens Julia. Texto maravilhoso. Sensibilidade e inteligência.

  • por DENISE SOARES, em 11.02.2019 às 10:46

    PARABÉNS! MUITO EMOCIONANTE E VERDADEIRO

 
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