Artigos / Odair José

30/09/2018 - 05:58

O Menino da Praça da Feira

Voltava do cinema com minha amada depois de assistir um filme e resolvemos parar na praça da feira para comermos um salgado e beber um caldo de cana. A Praça da Feira é uma praça no coração da cidade de Cáceres que oferece várias opções de alimentação durante a noite. É um local de feiras comerciais e agrícolas sempre as quintas e domingos. Durante o pouco tempo que ficamos ali pude observar uma infinidade de acontecimentos. Pessoas de todas as naturezas passam por aquela praça durante o dia e a noite, uma vez que a praça não dorme e nem as pessoas que habitualmente convivem em torno dela. É possível, numa rápida olhada, você encontrar uma infinidade de pessoas de diferente natureza.

Dentre as inúmeras coisas que observei já com a intenção de escrever para esse espaço eu pude notar as garotas que perambulavam em busca de recursos para preencher suas noites (de prazer e dinheiro). Tal como aves de rapina em volta das suas presas elas andavam a procura de homens que pudessem dar a elas algum dinheiro. Notei um senhor já de meia idade que chegou em uma moto já trombando em suas próprias pernas devido ao álcool na cabeça e logo o rodeava uma das meninas e se esfregava nela. Não entendo como as pessoas se sujeitam ao ridículo dessa forma? A mulher em aceitar que um cara molambento daquele fique alisando ela e passando as mãos em suas partes íntimas. O homem em se deixar dominar pela bebida a ponto de se tornar um farrapo humano.

No entanto, nada me chamou mais a atenção do que o garoto que me pediu um dinheiro para comprar um baguncinha, segundo ele me disse. Estava esperando o garçom trazer o nosso pedido e observando o andamento das pessoas na praça além do sorriso de minha amada (ela fica linda nos dias em que está feliz) quando o menino apareceu e me pediu dinheiro para comprar o lanche. No momento disse a ele que não tinha e que não poderia ajudá-lo. Ele saiu de perto de mim e ficou próximo ao carrinho de lanche do outro lado da praça. Eu o observei durante algum tempo vendo o que ele faria. Ele estava em uma bicicleta e ficou um bom tempo parado ao lado do carrinho de lanche. Pediu dinheiro para duas mulheres que passou perto dele e elas deram-lhe alguns trocados que vi.

Quando terminei de fazer meu lanche juntamente com minha amada disse a ela para me esperar que eu fosse dar o dinheiro do lanche para o menino.

Caminhei até onde ele estava e dei-lhe uma moeda de 1 real dizendo que era para ele completar e comprar o lanche dele. Ele me disse que precisava de mais 50 centavos para completar o valor do lanche. Dei-lhe os 50 centavos e conversei um pouco com ele.

Magrinho e sujo ele me disse que morava na Cidade Nova. Quando voltei para a minha mesa vi que o menino foi embora. Fui conversando com minha amada sobre qual seria o destino do dinheiro que o menino arrecadou. Com certeza não era para o lanche porque ele simplesmente foi embora. Seria para ajudar seus pais? Seria para comprar drogas? Cola, quem sabe? Um ponto de interrogação permanece no ar com relação a isso.

O que é preciso fazer para que a infância não seja sacrificada dessa forma? A inocência é perdida e o futuro de nosso país é comprometido. Enquanto isso nos palácios em Brasília...
 
Odair José

por Odair José

Poeta e Escritor Cacerense, professor de História, especialista em Gestão Ambiental e Técnico Administrativo daUnemat.
+ artigos

Comentários

inserir comentário
1 comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Jornal Oeste. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Jornal Oeste poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • por Tigre, em 06.10.2018 às 19:06

    Deveria ter doado um baguncinha e um refrigerante, afinal ele teria dinheiro para a próxima fome.

 
Sitevip Internet