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Manoel Campos vira referência no estudo de "mulas"
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Manoel Campos vira referência no estudo de "mulas"

Foto: Arquivo
No vocabulário do narcotráfico, “mula” é o nome que se dá à pessoa usada por traficantes para transportar a droga ilegal por fronteiras policiadas, mediante pagamento ou coação. As mulas usam diversos artifícios para o transporte da droga, podendo transportar até mesmo dentro do próprio corpo em cápsulas ingeridas. O médico ortopedista Manoel Francisco Campos Neto, que atua como perito em Cáceres, onde reside há cerca de 30 anos, percebeu o aumento de pessoas levadas ao hospital pela polícia, suspeitas de atuar como mulas e resolveu iniciar uma pesquisa. A maioria realmente estava com cápsulas de cocaína no estômago. O trabalho despertou o interesse do médico, que transformou o estudo em um livro.

Ao longo de 5 anos, o perito pesquisou o assunto e reuniu o resultado no livro que será lançado na noite desta sexta-feira em Cuiabá, durante o Congresso Internacional da Mulher, que acontece no Centro de Eventos do Pantanal. O evento será aberto na quinta-feira, às 8 horas, com uma aula magna do médico, onde ele expõe o tema e faz várias outras abordagens ligadas ao tráfico. Em entrevista ao Diário, o autor fala sobre o livro e destaca que seu interesse nunca foi fazer um trabalho na área policial – onde, aliás sempre obteve ajuda para a sua pesquisa - mas sim buscar informações na área científica sobre o assunto, que é preocupante e requer atenção das autoridades de Segurança Pública.

Atuar como mula é uma prática suicida. Começou na Colômbia, se alastrou por Peru, Bolívia, Paraguai e ganhou força na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, pela região de Cáceres. Aliciados, os mulas geralmente são pessoas em vulnerabilidade social. A maioria tem baixa escolaridade. Na região, o “trabalho” é feito mais por bolivianos, mas também há brasileiros que são aliciados.

Em média, cada cápsula contém 15 gramas de cocaína e mede 10 centímetros. A experiência dos policiais é a forma de detectar os mulas. Geralmente eles estão com aparência cansada. Recusam-se a tomar suco de limão, pois a acidez pode fazer a cápsula estourar, e muitos demonstram nervosismo. Aí, são levados para o hospital, onde passam por exames de raio-x e tomografia. Caso estejam transportando droga, ficam internados até que todas as cápsulas sejam expelidas.

A situação de miséria existente nas faixas de fronteira e a falta de políticas sociais fazem com que os mulas vejam nesta prática uma alternativa para ganhar dinheiro. Há também jovens que se submetem a isso em busca de dinheiro fácil. Após aliciadas, as pessoas são levadas para um local onde ingerem as cápsulas – geralmente de 60 a 80 cápsulas. Tomam chá, comem doce de leite em pasta e iogurte para ajudar a ingestão. É uma prática de alto risco. As cápsulas podem se romper durante a viagem ou durante a eliminação. Mesmo quando não estoura, o mula pode adquirir doenças, pois fica com o estômago cheio, sem se alimentar, e ainda toma grande quantidade de laxante. As bactérias que vivem no intestino podem se migrar para outros órgãos e causar infecções, principalmente a infecção pulmonar.

Frequência de casos motiva estudo

Sob o título “Mulas Humanas” no Narcotráfico Internacional Bolívia-Brasil – suicidas em potencial, o médico legista Manoel Francisco Campos Neto resolveu pesquisar o tema depois de observar que chegavam suspeitos de transporte de drogas na modalidade de cápsulas engolidas de uma a quatro vezes por cada plantão que fazia no Hospital Regional de Cáceres, detidos por agentes policiais do Grupo Especializado de Fronteira (Gefron).

“Observei também que a faixa etária dessas vítimas, as mulas, variava, e cada vez para menos idade, chegando inclusive a atender um com 16 anos que, segundo ele, estava completamente ‘chapado’, respondendo que é viciado em pasta-base, cocaína e maconha, chegando à consumir mais de 10 gramas por semana e que todo o seu trabalho (peão de fazenda) é pela droga que consome”, relatou o médico.

Completou: “o que pesou mesmo na decisão de iniciar em 2005 o estudo foi que, depois de algum tempo, durante a entrevista, ele começou a passar mal, e ali na minha frente vomitou cápsulas. E mais, quando rebuscando meus arquivos de Perito Oficial Médico Legista, encontrei um laudo de necropsia que eu fiz em 2003, de um mula que veio a óbito por overdose devido à ruptura de uma das 16 cápsulas”.

Por: Clarice Navarro Diório em 13/04/2011 08:40:40

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Dr. Olivaldo. (Cáceres) | 2011-04-13 09:38:33
Parabéns Dr, Manoel, pelo seu despreendimento, lisura e competência na área de seu trabalho. A medicina legal de nossa fronteira esta honrada com a vossa presença.
lionel bonifacio silva (caceres) | 2011-04-13 10:05:25
toma verganha manelao so tem uma pessoa esclusiva q vc nao citou no seu livro fka esperto isso é golpe emmmmmmmmmmmmmm.c adona desse serviço saber o q vc esta fazendo sera q vai gostar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Cris (Các) | 2011-04-13 11:28:21
Infelizmente isso ocorre mto em nosso País, queria mto ler uma reportagem falando que esta baixando esse indice, mais infelizmente é ao contrario, e Parabéns ao Grande Dr Manoel Campos, sou uma das pessoas que o admiram ..Parabéns mais uma vez.
Maria Sueli Vieira Mattiello () | 2011-04-13 22:31:35
Parabens ...Parabens.. Dr. Manuel Pela sua grande iniciativa de escrever este livro, é tudo que precisamos o verdadeiro conhecimento sobre o assunto, só assim as pessoas poderão se libertar deste tão grande ma..Que Deus o abençoe.
Manoel gomes da silva. (cáceres) | 2011-04-14 13:01:29
Você Manoel tem que fazer um livro de bons costumes e boa educaçao, e como tratar o público com educação, porque vc é mau-educado e arrogante, e não livro sobre mulas seu hipócrita.
gessica (caceres) | 2011-04-14 09:47:23
deveria fazer um livro de boas maneiras, como tratar as pessoas extensivo ao seu irmao seu mal educado, apren respeitar o proximo que e de onde vc tira o ganha pao seu burro.....
laerte (cuiaba) | 2011-04-14 15:44:19
não vejo tanto assunto nessa corriqueira prática, para se escrever um livro, o que este livro deve conter é simplesmente o que todo mundo já sabe , pessoas de pouca educação bla bla bla bla, quero ver a solução do problema.

 

 


   
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