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Rolezinho é uma tema nacional
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Rolezinho é uma tema nacional

Em junho do ano passado os jovens das classes B e A trouxeram o Brasil pras ruas com reivindicações de natureza política como ética, educação, saúde, moralidade, corrupção. Dispensaram os políticos, partidos políticos, sindicatos, centrais sindicais e movimentos. Defendiam o que era ligado à sua perspectiva de presente e de futuro. Portanto, uma visão mais objetiva e política.

Em 2014 o ano começou com os “rolezinhos” nos shoppping centers, por jovens da classe C. Sua visão não tem a mesma objetividade de longo prazo que as dos das classes A e B. Ou melhor, tem, mas na visão imediata, que é a de saírem do anonimato e terem visibilidade diante da sociedade fora das periferias onde vivem.

De repente, o Brasil se dá conta que existe um “apartheid” enorme entre o filho da diarista, da comerciária, da bancária, do pedreiro, do pintor, do eletricista, do motorista da van escolar, da caixa do supermercado, do porteiro do prédio, e de tanta gente que exerce atividades fora do circuito dos graduados e dos técnicos de nível, ou dos ricos.

Ainda que possa não ser um movimento consciente, os “rolezinhos” são um grito de politização desses jovens que frequentam péssimas escolas públicas, usam a péssima saúde pública, usam o péssimo serviço de transportes urbanos, são vítimas da violência policial, da indiferença preconceituosa da justiça, e não tem acesso aos melhores empregos no mercado, senão através de imensos esforços pessoais e familiares. Portanto, estamos diante de um fenômeno maior do que aparece à primeira observação.

Como no caso das manifestações de 2012, o meio público e político não perceberam e mostram maior indiferença ainda sobre este, até porque ele vem de gente considerada pobre e sem visibilidade social e política. “Apartheid” puro!

Arriscaria a dizer que estamos vendo nascer um ciclo novo de inserção social sem o patrocínio público. Os jovens do “rolezinho” fazem parte de tribos organizadas, com seus bonés, tênis, camisetas e bermudas, as meninas com seus shortinhos curtos e descoladas dentro do grupo. O ambiente político não poderia ser mais fértil: copa do mundo, ano de eleições e uma enorme rejeição aos políticos e às organizações governamentais. Pra a onda dos “rolezinhos” se juntar com a esperada nova onda de manifestações de rua, falta um passo. Se as duas se juntarem, criarão uma onda nova com força de “tsunami” contra a desordem que os incomoda e que parece muito confortável na sua doce e histórica indiferença social.

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